O crescimento da demanda por alimentos implica na necessidade da produção agrícola duplicar até 2050, mantendo fornecimento adequado e considerando as questões ambientais, sociais e econômicas.
Do Campo ao Mercado surgiu inspirado no projeto americano Field To Market: The Keystone Alliance for Sustainable Agriculture, e objetiva a melhoria contínua da cadeia produtiva. A iniciativa considera que o aumento da produção pode e deve ser realizado com menor e melhor utilização de recursos.
Composta por produtores, indústrias, varejo e organizações da sociedade civil, a Iniciativa trabalha para criar Indicadores Do Campo ao Mercado, que servirão para analisar a sustentabilidade dos processos produtivos, orientando a tomada de decisão para a busca da melhoria contínua. Os indicadores Do Campo ao Mercado também terão o propósito de embasar políticas públicas e privadas, assim como orientar investimentos.
Acredita-se que a consolidação de indicadores sistêmicos aumentará a capacidade de entendimento dos fatores limitantes da sustentabilidade, permitindo que os agentes da cadeia produtiva possam agir de forma coordenada.
O ARES – Instituto para o Agronegócio Responsável, organização neutra, sem fins lucrativos especializada na tomada de decisões colaborativas e processos para o meio ambiente, atuará na coordenação das atividades.
2. OBJETIVOS
O Objetivo da Iniciativa Do Campo ao Mercado é a estruturação do sistema de consolidação de indicadores de sustentabilidade da cadeia produtiva de alimentos e biocombustíveis.
2.1 Objetivos específicos
· Estabelecer parcerias com os agentes de cadeias produtivas específicas, definindo funções e responsabilidades relativas à Iniciativa;
· Identificar, em um processo participativo, os indicadores mais representativos do nível de sustentabilidade de cada cadeia produtiva;
· Quantificar em planos de ação os recursos necessários para a implementação das ações de consolidação de indicadores em cada uma das cadeias participantes;
· Implementar os planos de ação visando a geração dos indicadores de sustentabilidade;
· Estabelecer mecanismos de divulgação e discussão dos indicadores gerados com a sociedade;
3. METODOLOGIA
3.1. Fases de implementação
Será adotado um processo gradativo de implementação da Iniciativa Do Campo à Mesa, visando a agregação de cadeias produtivas cujos agentes estejam mais articulados em torno do tema sustentabilidade.
As cadeias do algodão, soja, milho e cana-de-açúcar serão as primeiras a serem trabalhadas, pretendendo-se nos próximos anos incorporar a pecuária bovina, a horticultura, a fruticultura, dentre outras cadeias interessadas.
3.2 Delimitação do trabalho
A Iniciativa Do Campo ao Mercado será focada em cadeias específicas que estabelecerão os indicadores de sustentabilidade da produção primária ao varejo. Desta forma, a partir de um processo de análise de pontos críticos, a cadeia definirá os focos de atenção que deverão ser retratados pelos indicadores consolidados.
O trabalho desenvolvido pela Iniciativa, ao não se restringir em um único elo da cadeia produtiva, amplia as possibilidades de resultados efetivos contribuindo para o entendimento de todos os aspectos de decisão que afetam o nível de sustentabilidade. Exemplificando, pode-se citar o indicador de perda de alimentos, que deve refletir as perdas ocorridas no âmbito da propriedade rural, do transporte e da comercialização.
3.2. Indicadores de sustentabilidade
A partir da articulação com as cadeias participantes serão identificados os indicadores mais significativos, que deverão ser trabalhados pela Iniciativa Do Campo ao Mercado.
Os indicadores definidos pelas cadeias participantes, em processos de interação com a sociedade, deverão ter a capacidade de refletir o nível real de sustentabilidade, de forma que efetivamente sejam referenciais importantes para a busca da melhoria contínua.
A definição dos indicadores de ser embasada no princípio da representatividade sistêmica e nos pilares social, ambiental e econômico.
O pilar social deverá ser abordado a luz do bem estar da sociedade, tendo como grandes orientadores a melhoria da qualidade de vida, a melhoria da saúde e segurança no trabalho, e a segurança de alimentos.
O pilar ambiental será orientador do foco com relação à qualidade e preservação da água, à manutenção da biodiversidade, à redução de emissões de gases de efeito estufa, à preservação da capacidade produtiva dos solos, à racionalidade do uso de recursos naturais e a destinação responsável de resíduos.
Por fim, o pilar econômico orientará a definição de indicadores que identifique ameaças à sustentabilidade decorrentes da degradação econômica das atividades produtivas, Considera-se que atividades com alto grau de degradação econômica, tendem a gerar ameaças à sustentabilidade social e ambiental.
4. RESULTADOS DA INICIATIVA DO CAMPO AO MERCADO
Com as cadeias produtivas articuladas para o propósito da consolidação de indicadores de sustentabilidade, será possível:
minimizar impactos da cadei produtiva;
melhorar contínuamente os processos produtivos;
melhorar a governança das cadeias;
interagir com a sociedade sob bases consistentes de informação;
melhorar a efetividade de investimentos;
orientar a formulação de políticas públicas e privadas;
Saturday, May 8, 2010
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