Sunday, May 23, 2010
21/05/2010 - Cientistas pedem taxa de CO2 para reduzir emissões
Pesquisadores da Academia Nacional de Ciências dos EUA recomendam a implementação de um preço pelo carbono como forma de combater as mudanças climáticas, mesmo se isso resultar no aumento do preço dos combustíveis e eletricidade. No maior trabalho já realizado por entidade norte-americana sobre as mudanças climáticas, o Conselho de Pesquisa Nacional da Academia de Ciências dos Estados Unidos divulgou neste dia 19/05 três relatórios alertando que o fenômeno é real e deve ser encarado o mais breve possível. Para isso, a entidade pede, pela primeira vez, ações que podem acarretar no aumento do preço de combustíveis e energia elétrica.Optando por um discurso mais ambicioso do que o de costume, a Academia Nacional de Ciências (NAS) aconselha que Obama pratique uma taxa sobre as emissões ou “cap-and-trade”.“As mudanças climáticas estão acontecendo e são causadas principalmente por ações humanas. É preciso aumentar o entendimento das pessoas sobre ela para que seja possível justificar políticas mais rígidas para mitigá-la”, afirmam. Os documentos, “America"s Climate Choices” (Escolhas Climáticas da América) chegam no momento em que o mundo observa a tragédia do vazamento de petróleo no Golfo do México e se pergunta que modelo energético deve seguir. De forma geral, a NAS reconhece que colocar um preço no carbono seria a forma mais eficiente para reduzir as emissões, mesmo que isso leve a um aumento no custo do petróleo, carvão e, conseqüentemente, de eletricidade.“Esta proposta, vinda de uma entidade como a NAS, deveria despertar o Congresso, as mudanças climáticas são reais. Acordem e sintam o cheiro do carbono”, disse Alden Meyer, da Union of Concerned Scientists. A idéia de um esquema “cap and trade”, que possui o apoio de membros do governo Obama, já foi proposta há alguns anos no Congresso, mas nunca conseguiu passar pelo Senado. A nova legislação do clima que está em discussão atualmente possui entre seus elementos a formação desse esquema, que funciona impondo um limite de emissões para as indústrias e se elas poluírem mais que suas cotas devem pagar por isso.Medidas Concretas: A Academia recomenda que o governo corte as emissões entre 57% a 83% até 2050 com relação a 1990. Para atingir esse objetivo, o estudo sugere que uma única agência federal coordene os esforços de pesquisa e mitigação das mudanças climáticas. Para a NAS, o Programa de Pesquisas de Mudanças Globais (Global Change Research Program) poderia assumir esse papel desde que estabelecesse parcerias com outras iniciativas. Os relatórios pedem ainda que as estratégias que forem adotadas sejam flexíveis e dessa forma possíveis de alteração quando necessário. Pois o conhecimento sobre as mudanças climáticas segue evoluindo e políticas e programas que hoje pareçam eficientes podem ficar rapidamente obsoletos. Não é do costume da NAS ser tão direta, porém quando o governo encomendou os relatórios fez a seguinte pergunta: “Quais ações de curto prazo devem ser tomadas para lidar efetivamente com as mudanças climáticas?” Membros da Academia entenderam então que poderiam ter a liberdade de dizer o que realmente pode ser feito, mesmo que isso resulte em medidas impopulares.“Nós precisamos começar a adotar essas propostas o mais rápido possível, é isso que a ciência está afirmando agora”, concluiu Robert Fri, co-autor de um dos relatórios.
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